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Nov/2017

Efeitos de Cenários de Recomposição Florestal na Disponibilidade de Recursos Hídricos na Mata Atlântica

Autores

Marcos Heil Costa; Victor Hugo Benezoli

Desde o início do século XX pesquisadores têm utilizado experimentos com bacias pareadas para estudar o impacto da mudança no uso e cobertura do solo na vazão (Andréassian, 2004). Desde o clássico estudo de Bosch e Hewlett (1982) já é sabido que a redução da cobertura vegetal implica em aumento da produção de água (vazão média anual), o que foi confirmado para diversos ecossistemas nos trabalhos de Bruijnzeel (1990), Sahin e Hall (1996), Andréassian (2004) e Brown et al. (2005). À luz desses trabalhos, atualmente é possível inferir a magnitude dos efeitos devido à conversão da vegetação natural por culturas agrícolas no ciclo hidrológico e, de maneira geral, espera-se que a conversão da vegetação natural em pastagem ou agricultura aumente a vazão média nas redes fluviais.

Entretanto, o estudo do efeito da mudança no uso do solo sobre os recursos hídricos usando bacias pareadas é limitado micro-bacias e normalmente não pode se extrapolado para grandes bacias, onde podem haver variações no clima, na topografia, tipo de solo e até mesmo no próprio uso do solo. Neste caso, outra forma de obter a resposta da substituição da cobertura vegetal na vazão e outros componentes do balanço hídrico é por meio da utilização de modelos numéricos. Devido ao interesse em se compreender o papel da mudança na cobertura vegetal no sistema hidrológico, foram desenvolvidos modelos capazes de descrever os fluxos de água entre solo-planta-atmosfera. Dentre as vantagens em se utilizar modelos estão a possibilidade de se examinar separadamente os processos de
superfície (evapotranspiração, escoamento superficial e drenagem profunda) e simular as consequências, não somente históricas, mas também futuras, do
desmatamento sobre o balanço regional de água.

Este relatório estima os efeitos de cenários de recomposição florestal na disponibilidade de recursos hídricos na região da Mata Atlântica. Para a região em estudo, serão considerados três parâmetros hidrológicos: a vazão média de longo prazo (Qmédia), a vazão máxima num período de 23 anos (Qmax), e a vazão que é superada em 95% do tempo (Q95). Essas três métricas indicam características relacionadas à disponibilidade média de recursos hídricos anuais, ao risco de enchentes e ao abastecimento de água.