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27.set.2018

Valor Econômico: BC defende redução do crédito rural com juros controlados

https://www.valor.com.br/agro/5878271/bc-defende-reducao-do-credito-rural-com-juros-controlados

BC defende redução do crédito rural com juros controlados

O Banco Central defendeu nesta segunda-feira, em evento em Brasília, uma diminuição da política de
financiamento ao agronegócio (médios e grandes produtores) com juros controlados. Essa política é baseada, desde a
década de 1960, em subsídios bancados pelo Tesouro Nacional e em recursos direcionados obrigatoriamente para a
agricultura, as exigibilidades.

Mesmo com a Selic em baixo patamar, a política de subsídios agrícolas passou a ser criticada com mais veemência,
sobretudo em tempos de rígido limite de gastos do governo. Nesse contexto, disse Cláudio Filgueiras Pacheco Moreira,
chefe do departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural do Banco Central, o foco deve
mudar dos médios e grandes produtores rurais para os pequenos, que precisam de mais apoio.

 No evento promovido pelo Climate Policy Initiative e pelo Banco Central, Filgueiras destacou o avanço de fontes
alternativas de crédito rural no financiamento da produção agropecuária, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
e instrumentos de mercado de capitais como títulos financeiros captados no país e mesmo no exterior. Apenas para o
custeio da safra agrícola, disse ele, o Brasil tem demandado atualmente cerca de R$ 280 bilhões em recursos financeiros ao
ano, advindos não somente do sistema bancário.

“Se estamos projetando dobrar a safra [de grãos] até 2040, vamos precisar de R$ 560 bilhões em custeio. Não vamos
conseguir com o modelo de hoje”, disse Filgueiras. “Nós gostaríamos que o mercado de capitais brasileiro tivesse uma
participação cada vez maior”, acrescentou.

Francisco Erismá Oliveira, coordenador-geral de Crédito Rural do Ministério da Fazenda, lembrou, também, que o
governo não tem recursos suficientes para subvencionar todas as demandas do setor rural. E que, nesse cenário, cresce a
importância das fontes alternativas de crédito rural. Nesse sentido, afirmou Rafael Baldi, diretor de crédito rural da
Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras vêm apostando numa agenda de menor burocracia
do sistema de crédito rural, sem abandonar o controle regulatório do governo.

 

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